Disse o moço
—Preciso urgente comprar um poço.
Fiz uma pesquisa de preço sem muita precisão. Tenho que ter um poço, assim que
passar o carnaval. O moço conseguiu um cavador de poço. Combinaram o preço e o
endereço. – Por favor, é ali, depois da ponte conte 9 passos, que senhor vai encontrar um muro
branco cheio bandeirinhas dentro de umas louças,é lá. Pode ir depois do
carnaval, não tem problema, as mulheres lá são carecas, andam vestidas de
branco e são especialmente simpáticas. Bom...passou o carnaval e o Senhor
Cavador não apareceu para furar o poço.--- Isso não vai ficar assim, eu não
descanso enquanto não achar esse tratante.
A revista Pitàn Dudu pretende refletir sobre aspectos inerentes à cultura afro-brasileira, utilizando ferramentas próprias das religiões de matriz africana, a saber: a força da vivência, o encontro, a roda de conversa, as cantigas, as imagens e as histórias. Estas ferramentas são amálgamas de uma cultura que se resume em uma palavra: oralidade.
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Subiu no telhado
Tem muita gente que diz que erê não presta, só fala
besteira, confunde a gente, prega peças, some com as coisas...bom, me contaram
a história de um erê que presta e muito!
Dizem que é uma menina de cabelos cacheados e muito animada,
gosta muito de feitiço, brinca com os bichos da mata, ajuda os desabrigados das
enchentes, adora carnaval e acompanha tudo que os filhos da casa fazem. Essa
menina fez uma coisa incrível há uns anos atrás.
Uma tia nossa, dona de uma casa de Oxum, estava sendo muito
cobrada pelos Orixás e precisava fazer um telhado pro barracão de sua casa, que
há 7 anos funcionava no quintal, a céu aberto.
O Feitiço do Gato Cego
por Ogan Cacau
A convivência com seu José era muito interessante e curiosa, era o modo
dos africanos, como ele mesmo dizia. O bom humor fazia parte do seu cotidiano,
mas às vezes por uma simples palavra mal colocada e que para ele não soasse a
contento o mau humor também aflorava e não deixava passar de quem quer que
fosse.
Certa vez o vi encomendar aos meninos da rua em que morava que se
encontrassem um filhote de gato bem estropiado, cego ou aleijado que o
trouxessem para ele, como de costume não perguntei nada e ele nada comentou, à tardinha
conversando disse.
_ Meu filho, vou dar uma lição na
dona Maria (comadre Fiota) ela esta bem abusada para o meu gosto, sabe que um
dia desses falei para ela dar ossé (limpeza) nos seus orixás e ela me respondeu
que eu me preocupasse com os meus que os dela ela sabia a hora de cuidar. Ah,
meu filho, não prestou, na mesma hora troquei língua em dialeto africano que a
negra deu um tropeção no quintal que quase arrancou a unha do dedão do pé o
tampão do dedo abriu, era sangue pra todo lado, lá veio ela chorando pedindo
agô catei umas folhas lavei o pé dela que no dia seguinte já estava desinchado
e com poucos dias tinha sarado, mas não estou satisfeito o orixá na hora me
respondeu e agradeci só que ela acha que foi pela malcriação que fez comigo
agora vou mostrar a ela quem manda na roda é o veio, a força da roda grande faz
a pequena mover, por isso você me viu encomendar aquele filhote de gato
estropiado, não é fácil encontrar, mas se o que quero fazer tiver que ser feito
o bicho aparece em três dias do quarto dia em diante eu já não posso fazer mais
o feitiço e, não farei.
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